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A presença das relíquias de Santa Catarina de Alexandria em nosso Estado constitui capítulo singular da memória religiosa e cultural catarinense. Sua trajetória documentada reúne devoção cristã, identidade histórica, cooperação institucional e frutuoso espírito de convivência eclesial
Este texto apresenta, de forma objetiva e baseada em documentos, os principais eventos conhecidos desde as primeiras iniciativas oficiais, no ano 2000, até os diálogos institucionais realizados em 2026.
Durante a Visita Pastoral de Metropolita Gennadios ao Estado de Santa Catarina, o então Governador Esperidião Amin Helou Filho dirigiu ofício manifestando o desejo de obter para Santa Catarina uma relíquia de sua Padroeira.
No documento, o Chefe do Executivo recorda os vínculos históricos entre o Estado e Santa Catarina de Alexandria e solicita o apoio necessário para que fosse obtida «uma pequena parte das relíquias dos restos mortais de Santa Catarina», destinada à veneração em solo catarinense.
Trata-se do primeiro marco institucional conhecido de todo o processo que culminaria, posteriormente, na vinda da santa relíquia ao Estado.

Em 8 de setembro de 2000, Monsenhor Nektários Selalmazidis, à época Vigário Geral no Brasil e atualmente Arcebispo da Igreja de Jerusalém, Exarca Patriarcal em Constantinopla, encaminhou correspondência ao Monastério de Santa Catarina do Sinai, recomendando a missão do Reverendo Padre Angelos Kontaxis.
A carta manifesta apoio às tratativas relacionadas ao pedido catarinense referente à relíquia da Santa Megalomártir Catarina.
Em carta datada de 25 de setembro de 2000, o Governador Esperidião Amin agradece providências adotadas visando ao translado para Florianópolis da relíquia de Santa Catarina, mencionando a generosa colaboração do Arcebispado do Monte Sinai.
Poucos dias depois, em 3 de outubro de 2000, novo ofício foi dirigido ao Arcebispo Damianos, do Monastério de Santa Catarina do Sinai, credenciando Monsenhor Angelos G. Kontaxis para receber oficialmente a santa relíquia em nome do Estado de Santa Catarina.
O documento registra que tal gesto seria motivo de grande honra para o povo catarinense.
Em resposta datada de 16 de outubro de 2000, o Arcebispo Damianos comunica haver atendido ao pedido formulado em favor de Santa Catarina.
O Monastério do Sinai declara ter concedido um fragmento das relíquias de Santa Catarina de Alexandria:
Este documento constitui peça central da história das relíquias em Santa Catarina.
Em nova correspondência, o Governador Esperidião Amin agradece ao Arcebispo Damianos pela honrosa concessão da relíquia da «venerada Padroeira do nosso Estado».
A carta também agradece a acolhida dispensada ao representante catarinense durante a missão realizada no Sinai.

No início de 2001, foi emitido Certificado de Autenticidade pelo Monastério de Santa Catarina do Sinai.
O documento declara que, em outubro de 2000, pequena relíquia da Santa Grande Mártir Catarina foi entregue ao Reverendo Padre Angelos Kontaxis:
Posteriormente, o certificado foi encaminhado à Presidência do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Com o passar dos anos, a presença das relíquias passou a integrar a memória religiosa e institucional catarinense, sendo reconhecida por diferentes autoridades civis e eclesiásticas.
Em tempos mais recentes, sua presença passou a ser associada publicamente ao contexto devocional da Capela Ecumênica existente no âmbito do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Ao longo dos anos consolidou-se, em Florianópolis, gesto ecumênico digno de nota: por ocasião da festa de Santa Catarina, membros do clero ortodoxo conduzem as relíquias para celebrações no centro da cidade, com acolhida fraterna da Catedral Metropolitana de Florianópolis e procissão pública pelas ruas centrais.
Tal tradição manifesta:

Em 16 de abril de 2026, representantes da Igreja Ortodoxa Grega e da comunidade helênica catarinense foram recebidos pela Presidência do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em encontro marcado por cordialidade e espírito construtivo.
Participaram do encontro:
Pelo Tribunal de Justiça:
Pela comitiva eclesial e comunitária:
O encontro reafirmou a importância histórica, espiritual e cultural das relíquias para Santa Catarina.
Ao longo dos séculos, diversas igrejas cristãs em diferentes países podem conservar pequenas relíquias atribuídas a Santa Catarina de Alexandria.
Todavia, a relíquia cuja trajetória se descreve neste histórico possui identidade própria e singular, por estar documentalmente vinculada:
Essa especificidade histórica merece ser conhecida e preservada.
As relíquias de Santa Catarina de Alexandria em nosso Estado representam precioso testemunho do vínculo entre fé, história e vida pública.
Sua memória documentada convida à gratidão para com todos os que contribuíram para essa história e estimula a continuidade de relações marcadas pela verdade, pelo respeito mútuo e pela caridade cristã.





