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Entre Santa Catarina de Alexandria e o Estado brasileiro que leva seu nome existe uma ligação histórica que antecede em quase cinco séculos a chegada de suas relíquias a Florianópolis.
O nome Santa Catarina foi inicialmente atribuído à ilha e, posteriormente, estendeu-se ao território continental. Com o passar do tempo, designaria a Capitania, a Província e, finalmente, o atual Estado de Santa Catarina.
A tradição histórica mais conhecida associa a denominação da Ilha de Santa Catarina ao navegador Sebastião Caboto, que esteve na região em 1526.
As referências reunidas para esta história registram que a escolha do nome estaria relacionada a Santa Catarina de Alexandria, cuja memória é celebrada em 25 de novembro. Uma versão também associa a denominação a uma homenagem de Caboto à sua esposa, Catarina.
Diante dessas diferentes explicações transmitidas pela historiografia, parece mais prudente não reduzir a origem do nome a uma única motivação. O que se pode afirmar é que, desde o século XVI, o nome Santa Catarina se fixou na geografia e, progressivamente, na própria identidade histórica do território.
O nome que inicialmente identificava a ilha ultrapassou seus limites geográficos. Ao longo da formação administrativa e política da região, passou a designar sucessivamente a Capitania de Santa Catarina, a Província de Santa Catarina e, posteriormente, o Estado de Santa Catarina.
Assim, o nome da Santa permaneceu inscrito na história catarinense através das diferentes etapas de formação do território.
Mais do que uma simples referência geográfica, essa denominação favoreceu também uma relação religiosa e cultural com Santa Catarina de Alexandria, reconhecida e venerada como padroeira do Estado.
Durante séculos, a ligação entre Santa Catarina de Alexandria e o território catarinense permaneceu sobretudo expressa no nome e na devoção à Santa.
No ano 2000, porém, essa relação adquiriria uma nova dimensão.
Durante a visita pastoral do então Metropolita Gennadios a Santa Catarina, o governador Esperidião Amin Helou Filho manifestou oficialmente o desejo de obter uma relíquia da Padroeira. Em ofício de 13 de junho de 2000, solicitou apoio para que fosse concedida “uma pequena parte das relíquias dos restos mortais de Santa Catarina”, destinada à veneração em solo catarinense. A documentação hoje reunida identifica esse ofício como o primeiro marco institucional conhecido do processo.
O pedido estabeleceria uma ligação concreta entre lugares separados por séculos de história e por milhares de quilômetros: Santa Catarina, no Brasil, e o Monastério de Santa Catarina, no Monte Sinai.
Por intermédio da Igreja Ortodoxa, iniciaram-se então as tratativas que conduziriam à missão de Monsenhor Angelos Kontaxis, Reitor da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau de Florianópolis, ao Egito.
Começava assim uma história que culminaria na concessão, pelo Monastério do Sinai, de uma relíquia de Santa Catarina de Alexandria como bênção espiritual para a Igreja Ortodoxa local, para benefício dos cristãos do Estado e como gesto fraterno dirigido ao Brasil e à América do Sul.
É essa história que acompanharemos a seguir.
Do Sinai a Florianópolis →