No Domingo do Publicano e do Fariseu, fomos ensinados sobre a oração genuína: não o muito falar, mas o coração contrito que clama: “Ó Deus, tem piedade de mim, pecador”. A metanoia — a mudança de mentalidade — começa com a humildade de reconhecer quem somos diante de Deus.
No Domingo do Filho Pródigo, caminhamos com o jovem que “caiu em si” e decidiu: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai”. Contemplamos a imagem luminosa do Pai que corre ao encontro, abraça e restaura a dignidade perdida; e também o drama do irmão mais velho, preso à própria justiça e incapaz de perdoar.
No Domingo do Juízo Final, o Evangelho levantou o véu do fim da história e revelou o critério do Juízo: não perguntas sobre discursos ou aparências, mas sobre o amor concreto — “Tive fome, e deste-me de comer… era estrangeiro, e acolheste-me?” — ensinando que o amor a Deus se prova no amor ao irmão, sobretudo ao pequenino.
E agora, neste Domingo do Perdão, a Igreja nos coloca diante da porta que dá acesso ao deserto quaresmal. E qual é a chave que abre essa porta? O perdão. Sem ele, não entramos; com ele, o Paraíso se antecipa entre nós. Como destacou Mons. André, o perdão é condição para uma Quaresma verdadeira: sem ele, jejum, orações e metanias correm o risco de se tornarem vazios.