Reitores Paroquiais

Desde 1957, a Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau tem sido servida por sacerdotes que, em tempos e circunstâncias diversos, sustentaram sua vida litúrgica, pastoral e comunitária.

Esta página reúne, em ordem cronológica, os reitores que exerceram seu ministério na Paróquia até o presente, preservando a memória de suas trajetórias e de sua contribuição para a continuidade da presença ortodoxa grega em Florianópolis.

Arquimandrita Mons. André Sperandio — desde 1º de julho de 2018

Reitor da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau — desde 1º de julho de 2018

O Revmo. Arquimandrita Mons. André Sperandio é o atual Reitor Paroquial da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau de Florianópolis, função que exerce desde 1º de julho de 2018, dando continuidade a uma trajetória sacerdotal iniciada no começo do século XXI e particularmente vinculada ao desenvolvimento da presença ortodoxa em Santa Catarina.

Catarinense, natural de São João Batista, iniciou ainda jovem sua formação religiosa no Seminário Menor Nossa Senhora do Bom Socorro, da Companhia de Jesus, em Nova Trento. Posteriormente ingressou no curso de Filosofia do Seminário Arquidiocesano de Azambuja, ligado à Fundação Educacional de Brusque — FEBE. Depois de três semestres, transferiu-se para Florianópolis, onde concluiu o Bacharelado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina — UFSC.

Ainda durante sua trajetória no cristianismo ocidental, participou de importantes acontecimentos da vida religiosa catarinense, integrando a comissão encarregada da organização da visita do Papa João Paulo II a Florianópolis e, posteriormente, da peregrinação das relíquias de Santa Teresinha do Menino Jesus pelo Estado de Santa Catarina.

Em 1997, durante uma viagem de estudos à Grécia realizada com um grupo ligado à Universidade Federal de Santa Catarina, aprofundou seu contato com o cristianismo oriental. O encontro com a espiritualidade, a liturgia e a tradição da Igreja Ortodoxa tornou-se determinante em sua trajetória religiosa.

Nos anos seguintes, seu caminho conduziu-o definitivamente à Igreja Ortodoxa. Após o período de formação e preparação eclesiástica, foi ordenado sacerdote em 2001, passando a exercer seu ministério pastoral em comunidades ortodoxas do Sul do Brasil.

Seu trabalho tornou-se particularmente ligado à presença ortodoxa na Grande Florianópolis. Em São José, passou a servir a comunidade dedicada a São João, o Teólogo, contribuindo para sua organização e continuidade pastoral. Ao longo dos anos, o ministério desenvolvido naquela comunidade passou a caminhar em estreita relação com a histórica Paróquia São Nicolau de Florianópolis.

Em 1º de julho de 2018, sucedendo o Arquimandrita Mons. Agathangelos Karkagkelis, Pe. André Sperandio assumiu a reitoria da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau, no centro de Florianópolis.

Seu reitorado corresponde a uma etapa de revitalização da vida paroquial e de recuperação da memória histórica da comunidade. Além da celebração regular do Ofício de Matinas e da Divina Liturgia, foram fortalecidas as atividades catequéticas, pastorais, culturais, filantrópicas e editoriais da paróquia, bem como os vínculos entre a Igreja São Nicolau, a comunidade helênica e as demais comunidades ortodoxas de Santa Catarina.

Especial atenção passou a ser dedicada à preservação e divulgação do patrimônio histórico da São Nicolau, uma das mais antigas comunidades ortodoxas organizadas do Brasil. Documentos, fotografias, publicações e testemunhos relacionados à imigração grega e à presença ortodoxa em Florianópolis passaram progressivamente a ser recuperados, digitalizados e novamente disponibilizados à comunidade.

Nesse contexto insere-se também a retomada das publicações paroquiais e a ampliação da presença digital da Igreja, com a preservação dos antigos boletins Kalimera, a publicação do periódico Kaló Mina e o desenvolvimento de instrumentos destinados ao registro da memória, da vida litúrgica e das atividades pastorais da comunidade.

O ministério de Mons. André mantém ainda estreita relação com a veneração de Santa Catarina de Alexandria, cujas relíquias de primeiro grau estão confiadas à Igreja São Nicolau. Essa tradição histórica levou à renovação dos vínculos da comunidade ortodoxa com o Tribunal de Justiça de Santa Catarina e com a Capela dedicada à Santa Megalomártir, situada junto à sede daquela instituição.

A partir dessa aproximação, foram retomadas celebrações ortodoxas na Capela Santa Catarina de Alexandria, fortalecendo uma história iniciada no tempo do Arquimandrita Angelos Kontaxis e vinculada à chegada das relíquias provenientes do Mosteiro de Santa Catarina do Sinai.

O reitor da São Nicolau participa também de iniciativas de diálogo ecumênico em Florianópolis. Ao longo de seu ministério, representou a Igreja Ortodoxa em encontros com diferentes tradições cristãs, nas Semanas de Oração pela Unidade dos Cristãos e em celebrações relacionadas à memória de Santa Catarina de Alexandria.

Sua atuação pastoral ultrapassa os limites da capital catarinense. Além da Paróquia São Nicolau, em Florianópolis, Mons. André é Reitor da Paróquia São João, o Teólogo, em São José, e presta assistência pastoral à Missão Ortodoxa São Nectários de Égina, em Jaraguá do Sul, integrando essas comunidades à vida da Sacra Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul, jurisdição do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.

Nos últimos anos, essa missão passou a ser exercida em estreita colaboração com Dom Irineo de Tropaion, Bispo Auxiliar da Arquidiocese para o Sul do Brasil, antigo reitor da própria Igreja São Nicolau.

Assim, o ministério iniciado na São Nicolau em julho de 2018 insere-se numa história que ultrapassa a administração de uma única paróquia. Reúne o cuidado pastoral das comunidades, a preservação da memória ortodoxa e helênica em Santa Catarina, a atividade catequética e editorial, a presença da Igreja no diálogo com a sociedade e o esforço de transmitir às novas gerações a tradição recebida daqueles que construíram e conservaram a comunidade ao longo de sua história.

Reitor da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau — 2014–2018
Atual Bispo eleito de Zela

O Revmo. Arquimandrita Agathangelos Karkagkelis (Αγαθάγγελος Καρκαγκέλης) exerceu o ministério de Reitor Paroquial da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau de Florianópolis entre fevereiro de 2014 e 2018, sucedendo o Hieromonge Pavlos Tamanini.

Seu reitorado corresponde a uma etapa importante da história contemporânea da comunidade, marcada pela consolidação de sua vida litúrgica, pela participação nas atividades da Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul e por uma presença significativa da Igreja São Nicolau no diálogo ecumênico e na vida religiosa catarinense.

Durante seu ministério em Florianópolis, Mons. Agathangelos participou ativamente da Semana de Oração pela Unidade Cristã e de iniciativas promovidas conjuntamente pelas diferentes tradições cristãs presentes na região. Em maio de 2015, por exemplo, participou da abertura da Semana de Oração na Faculdade Católica de Santa Catarina — FACASC, ao lado de representantes católicos e luteranos. Na ocasião, dirigiu aos presentes uma reflexão sobre o testemunho cristão, o amor e a superação do medo diante das diferenças.

Essa atuação ecumênica prosseguiu nos anos seguintes e tornou o sacerdote uma das presenças ortodoxas reconhecidas no diálogo entre as Igrejas em Florianópolis. Em 2016, participou novamente das atividades da Semana de Oração pela Unidade Cristã, representando a Igreja Ortodoxa Grega.

Também em 2016, Mons. Agathangelos e a comunidade São Nicolau foram homenageados pela Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina no contexto da Campanha da Fraternidade Ecumênica. Na sessão, o sacerdote e Catarina Apóstolo Comninos receberam a homenagem em representação da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau.

Outro momento particularmente significativo de seu reitorado ocorreu em 25 de novembro de 2016, festa de Santa Catarina de Alexandria. Naquele dia, a Igreja São Nicolau recebeu o Arcebispo Metropolitano Dom Tarásios, que presidiu as Matinas e a Divina Liturgia diante das relíquias da Santa Megalomártir. Concelebraram com o Arcebispo, juntamente com o então pároco Mons. Agathangelos, os Hieromonges Pavlos Tamanini e André Sperandio, ligados à Igreja Ortodoxa São João, o Teólogo, de São José.

Seu período em Florianópolis encerrou-se em 2018. A documentação paroquial apresenta pequena divergência quanto ao mês exato: a relação geral dos reitores indica junho, enquanto a nota dedicada ao sacerdote registra sua permanência até julho. Até que documentação administrativa ou arquidiocesana permita estabelecer a data precisa, é mais prudente registrar simplesmente o período 2014–2018.

Depois de seu ministério em Santa Catarina, Mons. Agathangelos prosseguiu servindo à Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul. Passou a exercer o ministério na Igreja Ortodoxa Grega da Anunciação da Theotokos, em Brasília, da qual se tornou Reitor Paroquial, prestando também assistência pastoral à comunidade ortodoxa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, em Goiânia.

Mesmo depois de deixar a reitoria da São Nicolau, manteve vínculos com as comunidades ortodoxas catarinenses. Em novembro de 2022, acompanhou o Arcebispo Metropolitano Dom Iosif durante visita pastoral à Igreja Ortodoxa São João, o Teólogo, em São José, evidenciando a continuidade dessa relação com a Ortodoxia no Estado.

Um novo capítulo de seu ministério iniciou-se em 10 de janeiro de 2025, quando o Sacro e Santo Sínodo do Patriarcado Ecumênico, reunido sob a presidência de Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, atendendo à proposta do Arcebispo Metropolitano Dom Iosif de Buenos Aires, elegeu o Arquimandrita Agathangelos Karkagkelis para o episcopado, conferindo-lhe o título da antiga Diocese de Zela.

Na mesma sessão sinodal foi eleito para o episcopado o Arquimandrita Irineo Tamanini, antigo reitor da Igreja São Nicolau, com o título de Bispo de Tropaion. Assim, dois sacerdotes profundamente ligados à história contemporânea das comunidades ortodoxas de Santa Catarina foram chamados pelo Patriarcado Ecumênico ao ministério episcopal.

A passagem do Arquimandrita Agathangelos Karkagkelis pela Igreja São Nicolau permanece particularmente associada à vida litúrgica da comunidade, à veneração de Santa Catarina de Alexandria e à participação da Igreja Ortodoxa no diálogo ecumênico e na vida pública catarinense.

Seu reitorado constitui, desse modo, mais um capítulo da continuidade pastoral da Igreja São Nicolau e de sua integração à vida da Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul.

Reitor da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau — 2011–2013
Atual Dom Irineo, Bispo de Tropaion

S.E.R. Dom Irineo de Tropaion, que durante seu ministério sacerdotal na Igreja São Nicolau era conhecido como Hieromonge Pavlos Tamanini, nasceu em 28 de agosto de 1966, em São João Batista, Santa Catarina.

Oriundo do cristianismo latino, iniciou em 1997 seu caminho na Igreja Ortodoxa e, três anos depois, a pedido do então Vigário Geral do Brasil, Mons. Nectários Selalmazidis, e com a aprovação do Metropolita de Buenos Aires, Dom Gennadios Chrysoulakis, seguiu para a Grécia, onde se dedicou ao estudo da língua grega, da Teologia e da cultura helênica.

Nos dias 7 e 9 de setembro de 2001, recebeu respectivamente a ordenação diaconal e presbiteral das mãos de Dom Jeremias de Aspendos, hierarca da Eparquia Ortodoxa Ucraniana da América do Sul, pertencente ao Patriarcado Ecumênico. Abraçando a vida monástica, recebeu o nome de Pavlos, pelo qual seria conhecido durante muitos anos de seu ministério sacerdotal.

Em 13 de junho de 2008, a pedido do Metropolita Dom Tarásios Antonópoulos e com o consentimento de Dom Jeremias, foi transferido para a Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul. Passou então a servir comunidades ortodoxas do Sul do Brasil, entre elas as de Canoas, Porto Alegre e São José.

Paralelamente ao ministério pastoral, desenvolveu intensa atividade acadêmica. Entre 2008 e 2010 realizou o Mestrado em História na Universidade do Estado de Santa Catarina — UDESC. De 2010 a 2013 cursou o Doutorado em História na Universidade Federal de Santa Catarina — UFSC, dedicando sua pesquisa à presença e à imigração de famílias ortodoxas no Sul do Brasil.

Após o adormecimento do Arquimandrita Angelos Kontaxis, em dezembro de 2010, Pe. Pavlos foi nomeado Reitor Paroquial da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau em 15 de março de 2011.

Sua posse canônica realizou-se em 3 de abril de 2011, durante a Divina Liturgia presidida pelo Revmo. Pe. Lucas Chypriades, então Vigário Geral do Brasil, que representava oficialmente o Arcebispo Metropolitano Dom Tarásios.

Seu reitorado marcou uma nova etapa na história da comunidade. Além da vida litúrgica e pastoral, Pe. Pavlos trouxe para a paróquia sua experiência acadêmica e seu interesse pela história da presença ortodoxa e helênica no Sul do Brasil. Essa combinação entre ministério sacerdotal, investigação histórica e preservação da memória das comunidades tornar-se-ia uma característica importante de sua trajetória.

Em junho de 2012, acompanhando o Arcebispo Dom Tarásios, visitou oficialmente o Patriarcado Ecumênico, em Constantinopla, onde esteve com Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu.

Em 31 de março de 2013, despediu-se da comunidade São Nicolau para prosseguir sua formação acadêmica, iniciando posteriormente estudos de Pós-Doutorado em História na Universidade Federal do Paraná — UFPR, concluídos em 2017.

Sua ligação com Florianópolis, contudo, não terminou com o encerramento do reitorado. Nos anos seguintes retornou em diferentes ocasiões à Igreja São Nicolau para celebrar e concelebrar com a comunidade, mantendo vínculos com a paróquia que havia servido.

Em 2018, assumiu a reitoria da Igreja Ortodoxa Grega São Savas, em Curitiba. Prosseguindo simultaneamente sua formação acadêmica e o serviço eclesial, realizou posteriormente um segundo Pós-Doutorado, desta vez em Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, com pesquisa dedicada à iconografia bizantina, concluída em 2024.

Em 27 de novembro de 2022, foi elevado à dignidade de Arquimandrita, recebendo o nome de Irineo, e foi designado Vigário Arquidiocesano para o Sul do Brasil, além de integrar a equipe arquidiocesana dedicada à educação.

Um novo capítulo de sua trajetória teve início em 10 de janeiro de 2025, quando o Sacro e Santo Sínodo do Patriarcado Ecumênico, sob a presidência de Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, o elegeu por unanimidade Bispo de Tropaion, como Bispo Auxiliar da Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul.

Sua sagração episcopal realizou-se em 8 de março de 2025, na Igreja Ortodoxa Grega da Anunciação da Theotokos, em Brasília. A Divina Liturgia e a ordenação episcopal foram presididas pelo Metropolita Dom Iosif de Buenos Aires, com a participação de hierarcas do Patriarcado Ecumênico e do Patriarcado de Jerusalém.

Como Dom Irineo de Tropaion, passou a exercer o episcopado auxiliar com particular responsabilidade pastoral pelo Sul do Brasil, retornando agora como hierarca às mesmas regiões e comunidades nas quais havia servido como sacerdote.

Assim, a passagem do Hieromonge Pavlos Tamanini pela Igreja São Nicolau, entre 2011 e 2013, integra uma trajetória eclesial mais ampla. O sacerdote que assumiu a comunidade após o falecimento de Mons. Angelos Kontaxis, conciliando o ministério paroquial com seus estudos sobre a história da Ortodoxia no Sul do país, retornaria anos depois a Santa Catarina como bispo da Igreja.

Sua história permanece, desse modo, estreitamente ligada à história contemporânea da Paróquia São Nicolau.

Reitor da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau — 1997–2010

O Revmo. Arquimandrita Mons. Angelos Kontaxis ocupa lugar singular na história recente da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau de Florianópolis. Seu longo percurso entre Grécia, Brasil e Estados Unidos e, sobretudo, sua atuação em Santa Catarina fizeram de seu ministério um elo entre a comunidade ortodoxa local, a sociedade catarinense e importantes instituições civis e religiosas do Estado.

Mons. Angelos chegou ao Brasil em 1950, estabelecendo-se inicialmente no Rio de Janeiro. Em 1966 deixou o país e radicou-se nos Estados Unidos, onde trabalhou na área de serviço social, em Chicago. Depois de aproximadamente vinte e cinco anos, retornou ao Brasil em 1991, novamente para o Rio de Janeiro. No ano seguinte, em 1992, transferiu-se para Florianópolis, cidade na qual se estabeleceria definitivamente.

Depois de um período em que a comunidade São Nicolau havia permanecido sem sacerdote residente e recebido assistência pastoral de sacerdotes vindos de outras localidades, Mons. Angelos passou a integrar de maneira permanente a vida da paróquia. A relação histórica dos reitores paroquiais registra oficialmente seu reitorado entre 1997 e 2010.

Sua presença marcou uma etapa de reorganização e fortalecimento da vida ortodoxa em Florianópolis. Poliglota e possuidor de larga experiência internacional, Mons. Angelos desenvolveu relações não apenas no âmbito eclesiástico, mas também com instituições e autoridades civis catarinenses.

O episódio mais conhecido de seu ministério está ligado às relíquias de Santa Catarina de Alexandria, padroeira do Estado.

Durante a visita pastoral do Arcebispo Metropolitano Gennadios à comunidade de Florianópolis, em 1999, surgiu, durante encontro com o governador Esperidião Amin, a proposta de solicitar ao Monastério de Santa Catarina do Sinai uma relíquia da Santa Megalomártir para o Estado que leva seu nome. A partir daquele momento, Mons. Angelos assumiu papel central nas tratativas necessárias à concretização da iniciativa.

Correspondências oficiais documentam sua participação na articulação entre o Governo do Estado, as autoridades da Igreja Ortodoxa e o Monastério de Santa Catarina. Em setembro e outubro de 2000, foi formalmente credenciado para receber, em nome de Santa Catarina, a santa relíquia no Egito.

Mons. Angelos viajou então ao Monastério de Santa Catarina, situado aos pés do Monte Sinai. A missão tornou-se um dos episódios mais memoráveis de sua trajetória. Já idoso e caminhando com auxílio de bengala, aceitou subir o Monte Sinai quando os monges lhe solicitaram que trouxesse uma pedra do lugar associado à entrega dos Mandamentos a Moisés. Cumpriu a tarefa e trouxe consigo também uma pedra destinada ao Brasil.

As tratativas foram concluídas com êxito. Do Monastério vieram para Santa Catarina uma relíquia da Santa Megalomártir, um ícone confeccionado pelos monges e a pedra trazida do Monte Sinai. O próprio Monastério emitiu posteriormente certificado de autenticidade registrando a entrega da relíquia ao Rev. Pe. Angelos Kontaxis para veneração dos cristãos em Florianópolis.

O acontecimento ultrapassou os limites da comunidade grega. Autoridades civis e religiosas participaram das cerimônias realizadas em Florianópolis, e o Poder Judiciário catarinense decidiu construir uma capela destinada a acolher dignamente a relíquia. Surgiu assim a Capela de Santa Catarina de Alexandria, no complexo do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, mantendo-se desde então um vínculo singular entre a memória da Santa, a Igreja Ortodoxa e as instituições catarinenses.

A Igreja São Nicolau também conserva relíquias de Santa Catarina, fazendo desse legado um dos sinais mais permanentes do ministério de Mons. Angelos.

Em 2001, Pe. Angelos foi elevado à dignidade de Arquimandrita, reconhecimento eclesiástico de seu ministério. Continuou servindo à comunidade durante a década seguinte, auxiliado também pelo Diácono Pedro Paulo Raimundo.

Outro momento significativo ocorreu em 23 de novembro de 2008, quando, durante visita pastoral do Arcebispo Metropolitano Tarásios para a celebração da festa de Santa Catarina de Alexandria, quatro destacados membros da comunidade São Nicolau — Savas Apóstolo Pítsica, Miguel Anastácio Kotzias, Syríaco Spyros Diamantaras e Stavros Anastácio Kotzias — receberam distinções como Arcontes do Patriarcado Ecumênico. Mons. Angelos participou daquele momento, que expressava o reconhecimento dos serviços prestados por membros da comunidade à Igreja.

Após muitos anos de ministério no Brasil e treze anos oficialmente registrados à frente da Paróquia São Nicolau, o Arquimandrita Angelos Kontaxis adormeceu no Senhor em 19 de dezembro de 2010.

Foi sucedido na reitoria paroquial pelo então Hieromonge Pavlos Tamanini.

A memória de Mons. Angelos permanece particularmente viva em Santa Catarina. Além dos fiéis que acompanharam seu ministério, permanecem como testemunhos materiais de sua passagem as relíquias conservadas na Igreja São Nicolau e na Capela de Santa Catarina de Alexandria, o ícone proveniente do Sinai e a pedra trazida do Monte que a tradição bíblica associa a Moisés.

Seu ministério representa uma etapa de renovação da presença ortodoxa em Florianópolis e, de maneira particular, um momento em que a pequena comunidade grega estabelecida na Ilha tornou-se protagonista de um acontecimento que passou a integrar a própria memória religiosa e institucional do Estado de Santa Catarina.

Memória eterna! Αἰωνία ἡ μνήμη!

Reitor da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau — 1971–1989

O Revmo. Pe. Constantino Paraskevaides, natural de Kozani, na Macedônia grega, exerceu durante aproximadamente dezoito anos o ministério pastoral na Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau de Florianópolis, constituindo um dos mais longos reitorados da história da comunidade.

Chegou a Florianópolis em 1971, sucedendo o Pe. Panayotis Meintanis, que havia servido à paróquia desde 1965. Sua chegada ocorreu num período significativo para a Ortodoxia mundial, marcado pelo movimento de reaproximação entre as Igrejas Ortodoxa e Católica, especialmente após os históricos encontros entre o Patriarca Ecumênico Atenágoras I e o Papa Paulo VI e o levantamento, em 1965, dos anátemas relacionados ao cisma de 1054.

Documentos da imprensa catarinense mostram que Pe. Constantino participou ativamente desse ambiente de aproximação. Em julho de 1972, apenas um ano depois de assumir a Paróquia São Nicolau, o jornal O Estado dedicou ampla reportagem ao diálogo entre ortodoxos e católicos em Florianópolis, apresentando-o como o novo pároco da comunidade ortodoxa e registrando sua atitude favorável ao diálogo ecumênico.

Essa aproximação manifestava-se também por gestos concretos. Por ocasião do falecimento do Patriarca Ecumênico Atenágoras I, a Igreja São Nicolau celebrou ofício em sua memória, para o qual Pe. Constantino e a Associação Helênica de Santa Catarina convidaram os fiéis, autoridades e amigos da comunidade. A celebração contou com representação da Igreja Católica local. Em gesto de reciprocidade, Pe. Constantino participou da missa celebrada em sufrágio de Dom Felício da Cunha Vasconcelos, Arcebispo católico de Florianópolis.

Seu ministério desenvolveu-se numa comunidade formada em grande parte por famílias de origem grega que procuravam conservar simultaneamente a fé ortodoxa, a língua e as tradições helênicas, ao mesmo tempo em que se integravam cada vez mais à sociedade catarinense. Durante quase duas décadas, Pe. Constantino acompanhou essa importante transição geracional da colônia grega de Florianópolis.

As fontes históricas da comunidade registram sua procedência de Kozani, na região da Macedônia, na Grécia. Seu nome aparece nos documentos sob diferentes formas de transliteração — Constantino Paraskevaides e Konstantinos Paraskevaídes, entre outras —, sendo aqui adotada a forma tradicionalmente empregada pela comunidade.

Pe. Constantino permaneceu à frente da Igreja São Nicolau até 1989, quando faleceu em consequência de um acidente automobilístico. Seu nome permanece inscrito nos Dípticos paroquiais entre os sacerdotes e reitores adormecidos que serviram à comunidade.

Com seu falecimento encerrou-se um longo período de estabilidade pastoral. Nos anos seguintes, a Igreja São Nicolau atravessaria um período sem sacerdote residente, sendo assistida por clérigos vindos de outras cidades até que uma nova etapa da vida paroquial pudesse ser iniciada.

A memória do Pe. Constantino Paraskevaides permanece, assim, vinculada a quase duas décadas da história da Ortodoxia em Florianópolis: um ministério exercido no encontro entre a preservação da herança helênica, a consolidação da vida paroquial e a abertura ao diálogo com a sociedade e com as demais comunidades cristãs.

Memória eterna! Αἰωνία ἡ μνήμη!

Reitor da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau — 1965–1971

O Revmo. Pe. Panayotis Meintanis, natural da ilha grega de Zakynthos (Zante), pertence à geração de sacerdotes gregos que desempenharam papel decisivo na consolidação da presença ortodoxa no Sul do Brasil durante a segunda metade do século XX. Sua atuação pastoral não se limitou a uma única comunidade: esteve ligado à vida e à organização das comunidades ortodoxas gregas de Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba, deixando particular contribuição para a implantação e consolidação de seus templos.

Em Florianópolis, Pe. Panayotis Meintanis sucedeu o Pe. Miguel Michalopulos e exerceu o reitorado da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau entre 1965 e 1971. Fontes históricas da comunidade registram expressamente sua presença na paróquia em 1966. Ao término de seu ministério em Florianópolis, foi sucedido pelo Pe. Konstantinos Paraskevaídes, que assumiu a comunidade em 1971.

Quando chegou a Florianópolis, a Igreja São Nicolau encontrava-se numa etapa importante de sua história. O templo havia sido solenemente consagrado poucos anos antes, em 1º de setembro de 1963, pelo Bispo Timóteos, vindo de Buenos Aires. O ministério de Pe. Panayotis inseriu-se, portanto, no período de consolidação da vida paroquial após essa consagração e num momento em que as comunidades helênicas do Sul do Brasil dependiam fortemente da mobilidade e do trabalho missionário de um número ainda reduzido de sacerdotes ortodoxos.

Sua experiência na edificação de comunidades parece ter sido uma característica marcante de seu ministério. Savas Apóstolo Pítsica, em Os Gregos no Brasil (1983), registra que Pe. Panayotis, oriundo de Zakynthos, havia participado da construção de cinco igrejas ortodoxas: três na Grécia, uma em Porto Alegre e outra em Curitiba. O dado revela um sacerdote cuja atividade ultrapassava a celebração dos ofícios e a assistência pastoral ordinária, envolvendo também a organização material e institucional das comunidades que lhe eram confiadas.

Sua presença em Florianópolis deixou igualmente vestígios na vida social da colônia grega. Um registro histórico relativo às comemorações da Semana da Pátria recorda que a tradicional Casa Kotzias recebeu o primeiro lugar em um concurso de vitrines graças a uma decoração concebida por Pe. Panayotis Meintanis. O episódio, aparentemente pequeno, é significativo: mostra o sacerdote participando não apenas da vida litúrgica da comunidade, mas também de sua inserção cultural e social na cidade.

A documentação preservada apresenta seu nome sob diferentes formas — Panagiotis Meintanis, Panaiotis Mentanis, Panayotis Meindanis e Panaghiotis Meintanis —, variantes decorrentes sobretudo dos diferentes sistemas de transliteração do grego. Para a presente memória biográfica, adota-se a forma Panayotis Meintanis, conservada pela tradição documental da comunidade.

Depois de uma longa vida sacerdotal, Pe. Panayotis permaneceu ligado à história da Ortodoxia no continente sul-americano. Documentação eclesiástica posterior ainda o registra entre os sacerdotes aposentados da Arquidiocese, com a dignidade de Protopresbítero.

O Revmo. Protopresbítero Panayotis Meintanis adormeceu no Senhor em 3 de agosto de 2024. Seu nome permanece inscrito nos Dípticos dos adormecidos da Igreja São Nicolau, onde é comemorado entre os sacerdotes que serviram à comunidade.

Sua passagem por Florianópolis integra um capítulo particularmente importante da história da Paróquia São Nicolau: o tempo dos sacerdotes gregos que, percorrendo grandes distâncias entre comunidades ainda pequenas e dispersas, não apenas celebraram os Santos Mistérios e conservaram a fé de seus compatriotas, mas ajudaram concretamente a erguer e consolidar a presença da Igreja Ortodoxa no Sul do Brasil.

Memória eterna! Αἰωνία ἡ μνήμη!

Reitor da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau — 1962–1965

O Revmo. Pe. Miguel Michalopulos pertence à geração de sacerdotes gregos que assistiram pastoralmente a comunidade ortodoxa de Florianópolis em um período decisivo de sua organização e consolidação. Antes ou em outro momento de sua trajetória sacerdotal, exerceu também seu ministério nos Estados Unidos, circunstância registrada pelas fontes históricas preservadas pela comunidade.

Sua presença em Florianópolis é documentada já em 1957 por Savas Apóstolo Pítsica, em Os Gregos no Brasil (1983). A documentação paroquial posterior, entretanto, situa seu período como reitor da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau entre 1962 e 1965, sucedendo o Pe. Iosif Yasif e sendo sucedido pelo Pe. Panayotis Meintanis. A referência de 1957 indica, portanto, uma ligação anterior com a comunidade, embora as fontes até agora localizadas não permitam determinar com precisão a natureza ou a duração dessa primeira presença.

O período de seu reitorado coincidiu com um acontecimento particularmente significativo da história da São Nicolau. Em 1º de setembro de 1963, durante seu período à frente da comunidade, o templo foi solenemente consagrado pelo Bispo Timóteos, vindo de Buenos Aires especialmente para a celebração. A consagração representou a culminância de uma longa trajetória iniciada décadas antes com a organização da comunidade e a construção de sua igreja.

As memórias preservadas pela colônia grega oferecem uma caracterização breve, mas expressiva, de Pe. Miguel: é recordado como grande entusiasta e incentivador da comunidade. A expressão sugere uma atuação que ultrapassava o âmbito estritamente litúrgico, envolvendo-se no fortalecimento da vida comunitária e na preservação da presença ortodoxa e helênica em Florianópolis.

Seu reitorado encerrou-se em 1965, quando a responsabilidade pastoral da Igreja São Nicolau passou ao Pe. Panayotis Meintanis.

A documentação apresenta seu nome sob formas diferentes, entre elas Miguel Michalopulos e Michel Michalopoulos, esta última ainda conservada nos Dípticos paroquiais. Neles, seu nome encontra-se inscrito entre os sacerdotes e reitores adormecidos da Igreja São Nicolau, perpetuando sua memória na oração da comunidade.

Embora permaneçam por esclarecer dados fundamentais de sua biografia — como local e data de nascimento, formação, ordenação, período exato de atuação nos Estados Unidos e data de seu adormecimento —, os registros disponíveis permitem reconhecer em Pe. Miguel Michalopulos uma figura importante da história da Paróquia São Nicolau, especialmente ligada aos anos que culminaram na consagração de seu templo.

Memória eterna! Αἰωνία ἡ μνήμη!

Reitor da Igreja São Nicolau — 1959–1961

O Pe. Iosif Yasif — mencionado nas fontes também como Joseph Yasif, Yassif ou Yussif — sucedeu Pe. George Papaiano na assistência pastoral da comunidade ortodoxa grega de Florianópolis.

A documentação histórica da Paróquia registra seu reitorado entre 1959 e 1961, período relativamente mais longo que o dos dois sacerdotes que imediatamente o precederam. Outras fontes históricas da comunidade confirmam sua presença em Florianópolis por volta de 1960.

Poucos dados biográficos sobre Pe. Iosif chegaram até nós. Não estão ainda documentalmente estabelecidos seu lugar de nascimento, sua formação sacerdotal, as comunidades que serviu antes de Florianópolis ou seu destino após deixar a Paróquia São Nicolau.

Apesar dessas lacunas, seu ministério pertence a uma etapa importante da história da comunidade. Pe. Iosif assegurou a continuidade da assistência sacerdotal durante três anos, antecedendo o Pe. Miguel Michalopulos, que assumiria a Paróquia em 1962.

Com Pe. Iosif encerra-se, assim, a fase de rápida sucessão de sacerdotes que marcou a segunda metade da década de 1950 e o início da década seguinte, preparando-se uma etapa de maior estabilidade pastoral na Igreja São Nicolau.

Reitor da Igreja São Nicolau — 1958

O Pe. George Papaiano exerceu por breve período o ministério sacerdotal na Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau de Florianópolis, sucedendo Pe. Panayotis Paleólogos.

A relação histórica dos reitores da Paróquia situa seu ministério no ano de 1958. Outras fontes relativas à história da colônia grega, entretanto, registram a presença de um “Pe. George” junto à comunidade já em meados da década de 1950, indicando que seu vínculo com os ortodoxos de Florianópolis pode ter antecedido o curto período em que assumiu formalmente a assistência pastoral.

Até o momento, não dispomos de documentação suficiente para reconstruir sua origem, formação, trajetória sacerdotal anterior ou destino posterior. Sua passagem pela São Nicolau permanece, contudo, registrada na memória histórica da comunidade como parte da sucessão de sacerdotes que asseguraram a continuidade da vida litúrgica durante os anos de transição que se seguiram ao longo ministério de Mons. João Chryssakis.

Reitor da Igreja São Nicolau — c. 1957–1958

O Pe. Panayotis Paleólogos sucedeu Mons. João Chryssakis no atendimento pastoral da comunidade ortodoxa grega de Florianópolis, durante o período de reorganização vivido pela Paróquia São Nicolau na segunda metade da década de 1950.

As fontes históricas da comunidade destacam particularmente sua formação intelectual. Pe. Panayotis é lembrado como excelente professor da língua grega, homem de grande cultura e formação humanista, qualidades que deixaram forte impressão entre aqueles que o conheceram.

Seu ministério em Florianópolis foi breve. A documentação paroquial preservada apresenta divergências quanto às datas exatas de sua permanência: algumas relações o situam em 1958, enquanto registros históricos mais antigos indicam que já estava ligado à comunidade anteriormente e que, por motivo de saúde, retornou a São Paulo por volta de 1957.

Diante dessas diferenças documentais, sua passagem pela São Nicolau deve ser situada, com prudência, entre 1957 e 1958, até que novas fontes permitam estabelecer com maior precisão as datas de seu reitorado.

Pioneiro da presença sacerdotal ortodoxa grega em Florianópolis

O Arquimandrita João Chryssakis ocupa um lugar singular na história da comunidade grega e da Igreja Ortodoxa em Florianópolis. Primeiro sacerdote grego a estabelecer-se de maneira permanente na cidade, sua trajetória esteve profundamente ligada à preservação da fé ortodoxa, da língua e da cultura helênicas entre os imigrantes e seus descendentes durante as primeiras décadas do século XX.

João Chryssakis nasceu em Esmirna (Smyrna), na Ásia Menor, em 22 de setembro de 1897, filho de Kyriakos Chryssakis e Kyriacouli Chryssakis. Foi ordenado sacerdote da Igreja Ortodoxa Grega em 19 de abril de 1920.

Chegou ao Brasil em 1924, estabelecendo-se em Florianópolis, onde encontrou uma comunidade grega formada principalmente por famílias provenientes da ilha de Kastelórizon. Numa época em que ainda não existiam as estruturas paroquiais posteriormente consolidadas, sua própria residência tornou-se lugar de encontro. Ali reunia especialmente os jovens, procurando transmitir-lhes a língua grega e conservar entre eles os vínculos culturais e religiosos de seus antepassados.

Sua atuação sacerdotal acompanhou o processo de organização institucional da comunidade. Em 26 de setembro de 1936, quando foi fundada a Irmandade Grego Ortodoxa São Nicolau, Mons. João Chryssakis figurou entre os signatários de seus estatutos e foi designado presidente vitalício e primeiro pároco da Igreja. A nova Irmandade tinha entre seus principais objetivos a construção e manutenção de um templo ortodoxo dedicado a São Nicolau.

A história dessa construção, entretanto, foi marcada também por divergências internas. As fontes da própria comunidade registram conflitos entre o sacerdote e membros da Irmandade, relacionados tanto à sua forte personalidade quanto a diferenças acerca da condução da vida comunitária. As obras do templo chegaram a ser interrompidas. Durante esse período, celebrações e reuniões continuaram a realizar-se num sobrado da Rua Conselheiro Mafra, nº 43, que servia igualmente como residência de Chryssakis e de sua família.

Paralelamente ao ministério sacerdotal, Mons. João desenvolveu extensa atividade educacional. Durante cerca de vinte e cinco anos ensinou a língua grega no Instituto Dias Velho, atual Instituto Estadual de Educação. Documentação oficial do Governo de Santa Catarina confirma sua presença no corpo docente da instituição em 1950. Sua atuação como professor representava uma extensão natural de sua preocupação em transmitir às novas gerações a língua e a cultura helênicas.

Sua presença alcançava também a vida pública de Florianópolis. A imprensa catarinense das décadas de 1940 e 1950 registra-o repetidamente como representante ou chefe da Igreja Grega Ortodoxa local, participando de acontecimentos públicos, homenagens e manifestações da sociedade catarinense. Em 1943, por exemplo, aparece enviando, em nome da Igreja Ortodoxa de Florianópolis, saudação oficial ao embaixador britânico Noel Charles.

Em 1955, depois de aproximadamente três décadas de residência no Brasil, naturalizou-se brasileiro.

A longa trajetória de Chryssakis, contudo, foi também marcada por conflitos eclesiásticos. Documentação tornada pública na década de 1950 registra graves divergências entre ele, membros da comunidade e a autoridade episcopal ortodoxa sediada em Buenos Aires. Um certificado do Episcopado Grego Ortodoxo da América do Sul, reproduzido em documentação catarinense em 1957, questionava sua situação canônica e restringia o exercício de determinadas funções sacerdotais. Esses acontecimentos ajudam a compreender a presença, na mesma época, de outros sacerdotes enviados para atender a comunidade e explicam por que as cronologias posteriores nem sempre coincidem ao determinar os períodos exatos dos reitores da Igreja São Nicolau.

Por isso, a indicação tradicional “1956–1957”, encontrada em algumas relações de reitores, não corresponde à totalidade do ministério de João Chryssakis em Florianópolis. Sua presença sacerdotal na cidade remonta à década de 1920 e atravessa aproximadamente três décadas. Os anos de 1956 e 1957 parecem pertencer, antes, ao período de crise e reorganização da assistência pastoral da comunidade, questão que exige ser compreendida à luz da documentação canônica daquele momento.

A memória dos antigos membros da colônia conservou vivamente a figura do sacerdote. Recordava-se particularmente a tradicional bênção das casas na festa da Teofania. Vestido com a batina negra e o kalimáfki, levando a cruz, ramos de manjericão e a água santificada, percorria as residências das famílias gregas, aspergindo-as e apresentando a cruz à veneração. Depois da bênção, sentava-se por alguns instantes à mesa da família, tomando um café ou aceitando um doce antes de prosseguir para a casa seguinte. Sua esposa e suas filhas também o acompanhavam em ocasiões festivas.

Com o passar dos anos, as divergências com parte da comunidade e sua situação eclesiástica tornaram-se cada vez mais complexas. Já viúvo e mantendo amizade com Dom Afonso Niehues, Arcebispo de Florianópolis, João Chryssakis pediu posteriormente para ser recebido na Igreja Católica Romana. Em 23 de janeiro de 1965, foi formalmente recebido e passou a exercer seu ministério na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, no centro de Florianópolis.

Mons. João Chryssakis faleceu em Florianópolis em 30 de janeiro de 1971, aos 73 anos, depois de aproximadamente cinquenta anos de sacerdócio.

Sua trajetória não pode ser reduzida nem aos conflitos que marcaram os últimos anos de sua relação com a comunidade ortodoxa, nem apenas à extensão de seu ministério. Durante décadas, quando a comunidade grega de Florianópolis ainda dispunha de estruturas muito limitadas, João Chryssakis foi sacerdote, professor e uma das principais referências para a conservação da identidade religiosa e cultural dos imigrantes.

Sua presença está diretamente ligada à organização da Irmandade São Nicolau, aos primeiros esforços para a construção do templo, ao ensino da língua grega e à transmissão de práticas religiosas que permaneceram na memória de sucessivas gerações da comunidade helênica de Florianópolis.


OBS.: Entre os anos de 1989 e 1997, período em que a comunidade ficou sem reitor, os Rev.mos sacerdotes Pe. José Roberto de Oliveira e Protopresbítero Basílio dos Santos Lima deram assistência pastoral à comunidade de São Nicolau de Florianópolis.