Santa Catarina e o Monte Sinai

Um lugar de memória bíblica, vida monástica e veneração

A história da veneração de Santa Catarina de Alexandria tornou-se inseparavelmente ligada ao Monte Sinai, um dos lugares mais significativos da tradição bíblica e cristã.

É no Sinai que a tradição situa o encontro de Moisés com Deus na Sarça Ardente e a entrega da Lei. Aos pés da montanha desenvolveu-se, desde os primeiros séculos cristãos, uma antiga presença monástica, atraída pela solidão do deserto e pela memória dos acontecimentos bíblicos associados àquele lugar.

Nesse cenário encontra-se o histórico Monastério de Santa Catarina, onde são conservadas e veneradas as relíquias da Santa Megalomártir.

O Monastério do Sinai

O Monastério foi erguido no século VI, durante o reinado do imperador Justiniano I, e permanece em atividade até nossos dias, sendo um dos mais antigos centros monásticos cristãos ainda existentes. Sua localização reúne duas memórias que, com o passar dos séculos, se tornaram inseparáveis: a memória bíblica do Sinai e a presença cristã de gerações de monges que ali fizeram da oração, da ascese e da vida comunitária sua resposta ao chamado de Deus.

A permanência dessa comunidade através de diferentes épocas, impérios e transformações históricas fez do Monastério um testemunho extraordinário da continuidade da presença cristã no Sinai.

As relíquias de Santa Catarina

Segundo a tradição cristã, após o martírio de Catarina, seus restos mortais foram trasladados ao Monte Sinai, onde passaram a ser venerados pelos monges. Suas relíquias encontram-se conservadas no Monastério que leva seu nome.

A presença das relíquias estabeleceu uma ligação duradoura entre a Santa de Alexandria e o Sinai. O Monastério tornou-se, assim, não apenas guardião de uma antiquíssima tradição monástica, mas também lugar privilegiado de veneração de Santa Catarina.

Essa ligação assumiria particular importância para a história que nos interessa em Florianópolis. No ano 2000, o Governo do Estado de Santa Catarina formulou oficialmente o pedido de uma relíquia de Santa Catarina de Alexandria, dando início às tratativas que, por intermédio da Igreja Ortodoxa, chegariam ao Monastério do Sinai. Em 16 de outubro daquele ano, o Arcebispo Damianos comunicou formalmente a concessão de um fragmento das relíquias da Santa Megalomártir, como bênção espiritual para a Igreja Ortodoxa local, para benefício dos cristãos do Estado e como gesto fraterno dirigido ao Brasil e à América do Sul.

Esse episódio, porém, pertence a outro capítulo de nossa história.

Um patrimônio espiritual e cultural

O Monastério do Sinai é também guardião de importante patrimônio documental cristão. Sua biblioteca conserva milhares de manuscritos em diferentes línguas, entre elas o grego, o árabe, o siríaco e o georgiano. Entre os grandes manuscritos historicamente associados a seu acervo encontra-se o célebre Codex Sinaiticus, um dos mais antigos testemunhos manuscritos da Bíblia.

Biblioteca, manuscritos, ícones, arquitetura, vida litúrgica e tradição monástica fazem do Sinai muito mais do que um lugar relacionado ao passado. O Monastério permanece uma comunidade viva de oração e uma testemunha da continuidade da tradição cristã naquele território.

Do Sinai a Santa Catarina do Brasil

Alexandria é o lugar ao qual a tradição associa a vida e o martírio de Catarina. O Sinai tornou-se o lugar de sua veneração e da custódia de suas relíquias.

Séculos mais tarde, uma circunstância histórica estabeleceria uma nova ligação: do outro lado do Atlântico existia uma ilha — e depois um Estado brasileiro — que também levava o nome de Santa Catarina.

É essa ligação que abre o próximo capítulo de nosso percurso.

Santa Catarina e o Estado de Santa Catarina →